AVISO

Querido leitores de momento o Cold Blood Fanfics encontra-se em manutenção.

Voltaremos em princípio ainda este mês com mais novidades, colunas novas, entrevistas com autores de fanfics, etc..., provavelmente também com uma nova cara.

Por isso, se virem novos conteúdos no blog, não se "assustem" nem pensem que voltamos ao ativo.

Quando estivermos terminando postaremos uma mensagem.

Obrigada pela atenção.

A Equipa do CBF
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Solitário


Autora: Rasalie & Jasper
Capa: Lucas Hotdog

Conta a história de Jasper, dos cinco anos de idade para frente, incluindo muitos fatos históricos sobre a Guerra Civil Americana e reviravoltas inacreditáveis!

































































Solitário - Capitulo 60

Saltitante

Fui para a Filadélfia. Não havia muito que se fazer por lá, mesmo que a paisagem fosse extremamente bonita. Os campos aqui pareciam ser bem mais saudáveis do que em qualquer outro lugar que já tinha visitado.

Garoava e uma tempestade estava por vir.

Eu já tinha perdido a vontade de visitar a casa do tal escritor, então resolvi caminhar, conhecer os cantos da cidade.

Não demorou muito e a tempestade castigou os que andavam desprevenidos na rua, assim como eu. E isso me deixava à vontade.

Mesmo sendo dia, e a luz quase inexistente por conta da chuva intensa, eu estava com uma sensação estranha. Eu me sentia como se algo fosse ocorrer, mas eu estava cansado de lutar. Se meu destino fosse morrer, eu me entregaria e não iria contra.

Ficar na chuva estava começando a me deixar desconfortável demais. Os pingos de chuva batiam forte em minha pele resistente, e isso incomodava. Além de que, a maioria das pessoas já tinha entrado em suas casas ou procurado algum abrigo.

Eu estava chamando a atenção no meio da rua em meio a uma tempestade.

Olhei para os lados, mas não havia nada demais por lá. No entanto, fiquei curioso por um local que tinha um grande letreiro com o nome do local em letras cursivas antigas – mais especificamente, as que eu aprendia quando pequeno.

Era um restaurante. Mesmo que eu não comesse nada por lá, eu precisava de um abrigo. Precisaria me controlar também, mas eu daria um jeito nisso. Resolvi entrar lá.

O ambiente era pequeno, escuro e vazio. As janelas e o chão não eram limpos há um bom tempo, e eu acredito firmemente que isso podia ser um dos motivos pela falta de clientes...

Para minha sorte, a pouca luz que entrava não interferia na minha cintilante pele. Ela também acabava que por favorecer a cor escura – o vinho escuro – de meus olhos. Em “dia normais”, os tons avermelhados seriam chamativos demais.

Os tons de vermelhos eram contrastantes com a tonalidade de minha pele, e com isso, pode se ter certeza de que éramos a atração da cidade. Quanto mais vívido, mais estranhos seríamos.

Mas, graças ao meu pouco senso de humanidade, minhas pupilas estavam escuras. Para um humano, eu teria certeza que meus olhos seriam castanhos escuro.

Despreocupado com o que poderia me acontecer justamente neste fim do mundo, uma pequena senhorita pulou de um banco de lá do canto assim que me viu. Confesso, fiquei chocado com a sua atitude.

Quem pularia tão feliz assim quando vê um desconhecido?

Eu não tinha a resposta, então tentei lembrar sua fisionomia. Ela poderia ser alguma pessoa que eu já tinha encontrado uma vez, e eu é que não me lembrava dela... Eu já tinha esquecido tanta coisa e me lembrado de tantas outras, ela poderia ter sido uma dos infelizes da qual não me recordei...

Ela, no entanto, tinha certeza da direção. Ela viria até mim. Ela estava vindo até mim...

Aquilo me preocupou. Quem era ela? Será que eu tinha atacado algum companheiro dela e agora ela estava querendo vingança?

Mas... Poxa, justo agora?! Aqui?!

Se nós dois começássemos a brigar, tenho a certeza absoluta de que seria uma carnificina. Dois vampiros não conseguem se conter em uma luta quando o amor está em jogo. Vampiros podem ser extremamente cruéis, se quiserem... E eu sabia como ser, infelizmente!

Ela continuava em minha direção, e em cada passo que ela dava, parecia que estávamos em câmera lenta – aquele efeito que as pessoas fazem nas telas do cinema, sabe?!

Comecei a analisá-la. Ela não tinha feições bravias ou o físico de alguém que lutaria em uma batalha. Ela era delicada demais para uma brutalidade como essas... E em sua expressão não havia algo sério ou de alguém bravo. Ela estava... sorrindo!

Mas... como?! Ela sequer me conhece! E eu nem a conheço!

Como alguém pode agir assim, tão confiante? Ela estava otimista com tudo aquilo, ela sabia de coisas que eu, provavelmente, não sabia...

Será que ela sabia que eu era o Major? Será que ela era de Houston e finalmente veio me desmascarar?

Mas que inferno isso! Eu não tinha respostas para minhas próprias perguntas!

Entretanto, ela era linda! Majestosa! O seu sorriso brilhava na escuridão do restaurante como se fosse a Lua.

Deus, ela era realmente linda e cativante! Aquilo também me chocou, pois eu passei muito tempo até ver o sorriso no rosto de uma vampira totalmente desconhecida por mim.

Obriguei-me a sair do dos pensamentos, e ela então parou à minha frente. Ela era mais baixa do que eu, e aparentava ser uma bonequinha de porcelana.

“Você me deixou esperando por tempo demais” ela disse toda otimista. A sua sinceridade me deixou pasmo! Ela falou de um jeito como se nos conhecêssemos há anos...

A beleza dela era literalmente atordoante. Demorei um curto segundo para obrigar meu cérebro a formular uma frase sem gaguejar, mas creio que o que eu disse foi meio que automático. Foi sem pensar...

Eu estava cego por ela, não existia mais ninguém naquele local para mim...

“Desculpe, senhora!” tentei ser gentil com ela – eu queria agradá-la, cortejá-la.

Ela estendeu a mão, que a peguei sem pestanejar e lhe dei um beijinho na palma. Pela primeira vez em minha vida pós-morte, desde a minha transformação para vampiro, eu sinto o que é a esperança. O que eu sentia antes, ou pensava sentir, não passava de meros sussurros.

O seu aroma, a textura de sua pele... Deus!Eu estava completamente apaixonado por uma desconhecida.

“Desculpe-me a falta de educação, mas sou Jasper...”

“Whitlock, sim, eu sei!” – ela estava realmente feliz. “Sei de muitas coisas e tenho de falar tudo a você, mas sei que iremos ter um tempo para nós antes!” – ok, a bonequinha me deixou completamente confuso.

“Eu não... não entendo!”

“Você é vampiro há quanto tempo? Parece que te procuro há taaanto tempo. Você realmente demorou!”

“Ah... Desculpe-me, senhorita.”

“Ah, está tudo bem. Quer sentar para conversar?” – ela estava me convidando para sentar e conversar com ela, e para minha sorte, eu era um vampiro que tinha pelo menos o mínimo de auto controle. Se eu fosse humano, tenho certeza que não conseguiria mover nem um músculo.

“Sim, claro!”

Fomos para uma mesa, e então puxei a cadeira para que ela se sentasse. Ela agradeceu, se virou delicadamente e se sentou, os cotovelos apoiados na mesa.

“Então...” tentei encontrar algum assunto em minha mente para conversar com ela, mas ela estava tão feliz que aquilo estava me deixando em êxtase. Eu estava ficando tão feliz quanto ela... Organizei meus pensamentos e então decidi que iria perguntar a ela o seu nome e sobre o que ela tinha me dito antes, sobre estar me esperando, os assuntos ainda a serem contados e o tempo que passaríamos juntos.

“Sobre o que você quer falar primeiro?”

Ok, ela era linda, magnífica, mas estava me deixando confuso...

“Mas, ah, desculpe-me, mas como faz isso?”

“Eu tenho um dom, e sei que você também tem um!”

“Bem, sim, eu consigo controlar as emoções, os sentimentos...”

“Sim, e isso é tão legal quanto o meu.”

“Obrigado, mas eu poderia saber qual é o seu? Estou curioso!”

“Eu consigo ver o futuro a partir das decisões tomadas!”

“Ah...” – eu ainda estava confuso.

“Quando as pessoas tomam decisões, eu consigo ver o futuro delas. Mas isso só acontece quando elas realmente decidem. Quando elas estão em dúvida ainda, tenho apenas reflexos...”

“Uau!”

“Sim...” ela disse envergonhada, o que a deixava mais graciosa ainda...

“E sobre as outras coisas? O que você sabe?”

“Você quer dizer, como eu sabia de você?” ela propôs.

“Bem, eu acho que sim...” lhe respondi incerto.

“Eu tive uma visão de você anos atrás procurando por um lugar realmente seu. E aconteceu que você só foi se distanciando deste local, mas mesmo assim, você decidia ir lá algum dia, seja lá onde esse local fosse.”

“E você soube de mim assim? Procurando pela minha casa em Houston?”

“Sim, você procurava sempre algo, mas nunca ficava perto. As coisas nunca foram boas para você, mas, no fundo, você acreditava que as coisas poderiam melhorar... Antes de você decidir encontrar sua casa, voltar a Houston, como você disse, você estava muito triste, e isso me magoava muito...”

Deus, eu estava magoando esta pobre e pequenina deusa. Eu era realmente um monstro acima de todos os outros existentes no mundo! Eu era o rei monstro, e eu me puniria de alguma forma por causar-lhe dor.

Ela parou de falar e ficou olhando para o nada com os olhos abertos enquanto eu pensava. Fiquei preocupado, eu não queria machucá-la mais ainda...

“Nem pense nisso, Sr. Jasper Whitlock. Não vê que a dor mais excruciante é saber que não tenho você por perto?”

Ok, se antes eu já me sentia completamente apaixonado por ela, agora eu sabia que meu mundo também girava em torno dela.

“Desculpe-me!”

“Você pede desculpas demais, sabia?!” ela disse em tom de ofensa.

“Desculpe-me.”

“Como?”

“Ah... err... então...”

“O que mais quer saber antes de partirmos em viagem?”

Comecei a pensar, e então quando fui falar, ela roubou a cena.

“Sim, sim... Me esqueci! Sou Alice!”

Alice... Até o nome era angelical, perfeito!

“O que mais, Jasper?”

“Você é vampira há muito tempo? Por quanto tempo realmente me esperou? Te fiz esperar muito?”

“Você já sofreu muito, Jasper, e eu sinto muito por isso, mas eu sei que as coisas melhorarão pela frente. Seremos muito felizes juntos, então pare de se preocupar, ok?!”

“Ok, obrigado pelas palavras confortadoras...”

“Eu sabia que você gostaria delas” ela disse e me deu um sorrisinho esperto. “Sou uma vampira há algum tempo já, há uma ou duas décadas, e venho viajando desde então. Mas, ao contrário de você, não me lembro de minha família, amigos, ou até mesmo quem me transformou!”

“Sei, às vezes a memória se apaga facilmente mesmo. É assim que funciona a mente humana.”

“É, mas gosto mais da vida dos vampiros!” ela estava empolgada novamente. “Podemos fazer coisas magníficas...”

“Corremos muitos riscos também...”

“Mas vale a pena! Ou vai dizer que não?!”

Preferi não responder, até agora, minha situação não tinha me favorecido muito.

“Ok, então esquece tudo. Tenho coisas a lhe contar!”

“Sobre o quê?”

“Sobre nós e o nosso futuro!”

“Hmmm... E o que será de nós, Alice?” – minha fadinha de porcelana. Eu a chamaria assim mais para frente, daqui algum tempo...

“Gostaria de ser chamada assim desde já! Pode ser?”

“Ah, sim...” – eu estava me esquecendo de seu dom. Ela era linda demais, e aquilo estava realmente tirando o chão de meus pés. Eu não estava mais funcionando muito racionalmente... Espero que ela compreenda se eu disse algo errado... “Alice, minha fadinha, o que você tem a falar sobre nós?”

“Adorei ser chamada assim, Jazz... Posso te chamar assim, não é?!” – confirmei com a cabeça. Eu realmente tinha gostado da nossa relação, afinal, ela me amava e eu a amava, mesmo que nós apenas nos conhecíamos há alguns minutos...

Acabei rindo com tamanha alegria que ela estava sentindo. Eu jamais teria coragem para manipulá-la. Eu seria a pessoa mais sincera, honesta e dedicada com ela. Enfim, seria a melhor pessoa para ela.

“Então, eu sei que iremos ficar juntos e também sei que há alternativas para nossa vida de vampiros!” – como? O que ela disse? Vida alternativa? Há! Sei! “Há uma família de vampiros liderados por um rapaz de feições jovens e cabelos claros, mais claros que os seus, e ele se chama Carlisle Cullen. Sua família é diferente de todas as outras...”

“E... bem, você espera que façamos o quê com ele?”

“Nos juntaremos a eles!”

“E isso dará certo?”

“Olhe, eu sei que há muito dúvida ainda a respeito disso, mas eu sei que dará, mais cedo ou mais tarde!”

“Bem, se você diz, eu confio plenamente!”

“Adoro quando você fala assim!”

“Posso falar assim o quanto você quiser minha fadinha!”

“Ai ai...” ela suspirou.

Fomos nos aproximando inconscientemente, e então quando estávamos quase nos beijando, um relâmpago cortou o céu. Isso a assustou, e então ela ficou envergonhada.

Eu não deixaria que ela se reprimisse comigo, não seus sentimentos. Eu prometi a mim mesmo ser a melhor pessoa para ela, e eu senti que, nesta hora, o que ela precisava era de proteção.

Passei meus braços por seus ombros, e a acomodei em meu corpo. Pude sentir sua pele macia no braço e o cheiro floral do shampoo de seu fino e delicado cabelo.

Ela era tão delicada, no geral...

Ficamos ali naquela mesma posição por alguns minutos. Nem eu, nem ela, queríamos que aquele momento acabasse. Por fim, ela decidiu que estava na hora de continuarmos a conversa.

“A tempestade já está para passar, então preciso lhe falar uma última coisa!”

“Pode dizer o que quiser, minha bonequinha!” – ela fez careta. “Fadinha?” – ela ficou imensamente feliz.

“Eu sei que você vai estranhar, mas vai se adaptar ao estilo de vida com o tempo. Será difícil, mas conseguiremos juntos!”

“Bem, você está me deixando muito curioso!”

“Os Cullens são diferentes porque vivem de uma forma diferente!”

“Hmmm... Isso quer dizer...?”

“Isso quer dizer que eles vivem como se fossem humanos, eles conseguem interagir e tudo o mais, e não os atacam.”

“Isso é... isso é bom, muito bom, para falar a verdade!” – eu estava realmente feliz por tê-la encontrado! Alice, minha fadinha contente! Eu estava adorando repetir seu nome, mesmo que mentalmente. “Acredita que funcionará com... com... enfim...”

“Com nós dois dará certo, só levará um certo tempo.”

“E como eles sobrevivem?”

“Animais!”

“Animais?!” – sabe que eu nunca tinha pensado neles?!

“Sim, veados, ursos, leões... Cada um deles tem uma preferência em especial, outros não.”

“E, bem, eles conseguem ficar... bem?!”

“Sim, até demais!”

“Bom, então, se você diz que será bom para nós ficarmos lá com eles... Eu concordo!”

“Ah, obrigada, Jazz... Obrigada por ser tão carinhoso comigo assim, também... Isso é tão novo para mim!”

“É tão novo para você quanto é para mim! O que eu pensei ter sentido antes, na verdade, não foi nada em comparação com o que sinto agora! Eu... eu... eu te amo!”

“Sim, eu também te amo!”

Ela fechou os olhos, e então nos aproximamos novamente. Desta vez, nenhum relâmpago interromperia o nosso momento!

Toquei seus doces lábios, e senti que estava no céu. Alice, minha fadinha, também era agora o meu paraíso!

...

Ficamos ali sentados até a tempestade passar. Eu não queria que ela corresse riscos, mesmo que seja de apenas chamar a atenção. Agora ela era o amor de minha vida, e era minha responsabilidade cuidar de seu bem estar.

Começando desde já, olhei para ela, ainda meio que absorto no que acontecia lá fora, e então dei o veredicto final.

“Está na hora de irmos!” disse já me levantando.

“Sim” ela pegou em minha mão e levantou, “temos de ir e você tem muito a me ensinar ainda!”

“Sim, e lhe ensinarei tudo que sei! Absolutamente tudo!”

Ela sorriu, e aquilo pagou por tudo o que houve ou deixou de acontecer em minha vida.

Caminhando tranquilamente para a saída do restaurante, senti que, finalmente, minha existência tinha um sentido! Eu estava com a minha fadinha, que estava toda saltitante!

Saímos do restaurante e fomos para um hotel que Alice diz viver. No caminho, ela disse que teríamos de comprar roupas novas, não só para mim, mas para ela também. Além, lógico, de sapatos, malas, bolsas, um carro...

Agora eu me encontrava otimista por saber que eu tinha toda a eternidade para passar ao lado de Alice, minha fadinha saltitante!

Eu estava com o meu amor, a essência de minha vida, e nada mais a tiraria de mim! Se algum dia isso acontecesse, eu não sei quanto segundos mais eu conseguiria suportar! Ela era a minha vida, agora e para sempre!

Fim.
Fanfic escrita por Jasper Whitlock e Rosalie Hale.
Espero que tenham gostado da fic ! ! !
:D

Solitário - Capitulo 59

O Baú

Antes de deixar Houston, resolvi dar uma última olhada em minha antiga casa.

O dia estava nublado, então ninguém percebeu quem eu era, ou o quê. Foi perfeito! Tudo havia corrido bem: Eva e sua família estariam morando em breve na cidade com tudo o que precisavam; minha casa e os bens materiais dentro dela se tornariam artigos de museu e pesquisa; ninguém soube que eu era o Jasper Whitlock em pessoa; ninguém descobriu que eu era um vampiro sanguinário, e; eu estava com o meu antigo diário.

Mesmo assim, eu ainda sentia que havia algo a mais para me preocupar. Algo que me prendia ali, e que eu deveria encontrá-lo antes de fazer quaisquer escolhas...

Fui caminhando pela casa esperando que meu coração me dissesse o que eu ainda estava procurando. Em cada cômodo que eu passava, eu permanecia alguns segundos parado a espera de uma resposta.

No quarto de Bryan eu permaneci alguns segundos a mais do que os demais... De alguma forma, eu esperava que fosse a lembrança dele que me fazia sentir assim, mas não era.

Passei pelo quarto de meus pais e também não houve nada. No entanto, havia algo em meu quarto. Eu esperava tudo, menos que o que me prendia ali ainda estivesse em meu quarto.

Entrei incerto. Ok, eu estava assustado, mesmo que não gostasse de admitir isso. De todos os cantos da casa, o único lugar que me fazia continuar era o meu quarto, o local onde eu já tinha passado a noite e não tinha encontrado mais nada.

Mesmo assim, eu tinha de descobrir o motivo que me prendia aqui.

Sentei na beirada da cama e fiquei olhando para os cantos do quarto, e o chão de madeira. Tudo estava exatamente igual há quase um século. Não havia nada a encontrar, e isso me incomodava.

Deitei na cama e fechei os olhos. Talvez fosse isso o que eu precisava, de um pouco de humanidade. Fiz de conta que estivesse dormindo, e isso apenas aperfeiçoou ainda mais os meus outros sentidos.

Alguns carros se cruzavam nas estradas, pessoas conversavam... As coisas de sempre.

Abri os olhos sem vontade de me levantar, ficar aqui, na verdade, era uma sensação muito boa. Eu me sentia... em casa, literalmente.

Fiquei encarando o teto de madeira branca e o lustre todo empoeirado. Quando a pouca luz do dia batia em seus cristais, ela revelava uma imensidão de cores. Havia reflexos por todo o teto, o que faziam parecia ser vários arco-íris... O que me fazia lembrar minha infância.

Assim que pensei nisso, em quando eu não passava de um pequenino moleque, senti uma forte pontada em meu peito. Havia algo a se encontrar aqui, e isso pertencia ao meu passado, mais especificamente de quando eu era criança.

Eu estava confuso, e ficava mais ainda enquanto tentava descobrir o que, afinal de contas, eu precisava ainda.

Eu não poderia demorar muito, pois a mãe de Eva ainda estava aqui na casa, e em breve, Eva poderia voltar. Não seria algo bom, pelo menos para mim, estar aqui quando ela voltasse. Eu teria de lhe explicar muitas coisas, talvez coisas até demais, e eu não estava a fim de correr estes riscos...

Não agora!

Se algum dia sua vida estivesse em perigo, talvez eu lhe conte então. Mas enquanto ela estiver assim, bem, não conto a verdade nem se ela me pagasse! Até por que o verdadeiro tesouro de minha vida, eu já consegui salvar...

Agora eu tinha de procurar por algo...

Levantei-me e fui para o guarda-roupa. A roupa que eu estava tinha se sujado um pouco na volta da prefeitura, e eu queria vestir algo novo. Algo... meu!

Comecei a puxar as roupas que estavam guardadas, todas dobradas com perfeição. Mas a perfeição só durou até aquele momento, pois eu acabei fazendo a maior bagunça ali dentro.

Eu me arrependeria depois...

Peguei uma camisa de coloração clara, e uma calça cinza. Troquei de sapatos, peguei emprestado do antigo “eu” uma pequena mochila para guardar o diário e mais alguma roupa, que escolhi ser mais uma camisa.

Olhei em volta pela última vez. Não havia nada a encontrar.

Comecei a contar tudo o que eu já tinha xeretado. Tudo já tinha sofrido em minhas mãos, pois todos estavam no chão ou rachados – por que, sem querer, acabei segurando com força demais uma jarra de água que costumava ficar em meu quarto. Ela me trazia boas lembranças, e por fim acabei não tendo a delicadeza para segurá-la sem estragar.

Eu me sentia um brutamonte às vezes... Principalmente com objetos tão quebráveis quanto à jarra de porcelana...

Comecei a andar em círculos pelo quarto. Foi só então que tropecei em meu antigo baú, o que eu já tinha revirado antes. Talvez, quem sabe... Não faria mal a mais ninguém fuçar mais um pouquinho.

Além de que não seria fuçar nas coisas se as coisas são suas, na verdade...

Levantei a tampa do baú por completo, deixando-a apoiada no pé da cama. Não havia nada de diferente de quando eu tinha revirado à noite, nada tinha aparecido lá de repente.

Mas, então, percorreu-me a ideia de que eu pudesse ter deixado algo passar despercebido. O que fazia sentido, visto que eu estava tão emocionado ao reencontrar meus velhos brinquedos.

Fui retirando os pedaços de brinquedos novamente, e assim esvaziei o baú de novo. Fiquei desesperançoso, afinal, eu realmente estava achando que ali estava o que eu procurava.

Levantei-me e chutei o baú, agora com raiva, mas não forte o suficiente para estragá-lo. Isso seria como dar um tiro no próprio peito – apesar de que... Não, ok, deixa para lá...

Assim que ele chacoalhou ruidosamente, percebi um mero brilho no fundo escuro do baú. Olhei diretamente para lá, e percebi que havia um brinquedo. Sim, mais um brinquedo que provavelmente estaria quebrado, mas... Não, este não estava quebrado, só estava perdido!

Ele estava solitário assim como eu, então resolvi dar-lhe uma oportunidade e mostrar-lhe a pouca luz do dia que irradiava lá fora. Ele estava incrustado em um dos cantos, portanto deve ter permanecido aí por quase, se já não for, um século.

Quando o senti em minhas mãos, soube na mesma hora que era ele quem eu estava procurando: o soldadinho de chumbo que eu costumava brincar com meu irmão. O mesmo soldadinho que eu tramava estratégias e táticas de guerras para invadir o território inimigo, geralmente meu irmão, e destruir tudo que havia em sua posse.

E também foi com ele que me lembro ter ganhado algumas broncas de minha mãe e avó, pois eu gostava da conquista e da glória de uma guerra, enquanto elas duas tentavam me repreender por pensar nesses tipos de coisas desta forma...

Nunca dava certo, é verdade, pois eu apenas continuava brincando de soldado mais e mais.

Quem diria, não?! Eu brincava de soldado quando pequeno, e mal sabia que quando crescesse, fosse me tornar não só um major da Guerra Civil Americana, quanto um vampiro que também lutava para manter os territórios no México.

Ainda sou um soldado, e creio nunca deixar de ser. Continuo ainda lutando, mas agora os objetivos não são os mesmos.

Se continuar pensando assim, posso afirmar que todos são soldados, pois todos lutam por algo.

Atualmente, por exemplo, luto contra o monstro sanguinário existente em mim. O monstro que insiste em fazer com que eu me alimente de sangue humano, com que eu mate pessoas para que eu possa sobreviver...

Isso não é algo bom a se listar como objetivo, mas que alternativa eu tinha? Apenas lutar o máximo que eu podia, mesmo que isso que fizesse sofrer!

Pronto! Chega!

Eu já estava em meu limite, e finalmente sentia que tudo estava dando certo. Eu tinha tudo o que precisava e os problemas estavam solucionados. Era a vez de partir novamente, agora, para um novo lugar!

Sem mais estradas, paisagens ou pessoas conhecidas... Eu queria mudar para ser alguém, e eu sentia que se quisesse mesmo isso, eu teria de sofrer as consequências de meus atos.

Pois então eu assim o faria.

Lugar novo, pessoas novas!

Saí da casa e corri para bem longe dela, sem me preocupar com a direção. Embaixo da sombra de uma grande árvore, parei para pensar melhor.

Havia algo ou um lugar que eu gostaria de conhecer?

Tentei, tentei, mas não consegui pensar em nada, então abri o diário para ver se eu poderia ter alguma dica. E justo na primeira página eu encontro um nome: Edgard Allan Poe. O escritor tinha morrido mais ou menos naquela época.

Pensei no nome, e me lembrei de ter ouvido que sua casa estava em exposição em algum lugar lá na Filadélfia, Pensilvânia.

Ok, este seria meu novo destino: Filadélfia!
Fanfic escrita por Jasper Whitlock e Rosalie Hale.

Solitário - Capitulo 58

Assuntos á Resolver

Eu não precisaria dos lençóis, nem de mais nada além do que eu estava procurando. Só havia um pequeno problema: eu não sabia o que eu deveria procurar.

Fui até o antigo baú. Abri sem muita dificuldade, mas percebi que ele não abria há muito tempo. Fui puxando alguns pedaços de brinquedos, e então eu encontrei lá o que deveria estar procurando.

Havia um livro de capa de couro bege. Ele estava sujo, mas o limpei em minha camisa, e vi que era o meu diário. O livrinho que eu escrevia às vezes quando era pequeno... Quando eu era mais velho também...

Enfim... Resolvi o folhear.

Tudo estava lá, e aquilo fez com eu atingisse o máximo da nostalgia. Se eu pudesse chorar, eu já estaria com o rosto todo molhado. Isso me envergonha, mas é a verdade, e eu estava grato por ninguém estar dividindo esta cena neste quarto...

Em cada página amarelada, eu encontrava a data na parte superior. Logo abaixo, eu escrevia em resumos rápidos o que aconteceu nos devidos dias anunciados.

Nunca gostei muito de escrever, para ser sincero, mas eu falava apenas o que eu precisava expressar. Aquelas coisas que nenhuma mãe deixaria um filho falar, sabe?!

Continuei folheando tentando afastar a dor em meu peito. Eu era feliz e não sabia.

Quando pequeno, eu apenas queria ser uma boa pessoa. Nada mais, nada além. Não me importava com a minha profissão, se casaria ou se teria muitos filhos. Isso não me interessava... Eu só não queria ter pensado assim, pois agora, é desta forma que me encontro. Sem trabalho, mulher e filhos...

Não posso dizer que me sinto feliz da mesma forma que eu achava que seria... A realidade é muito mais cruel do que quando imaginamos a situação. Eu prefiro o mundo da fantasia, onde tudo o que machuca, na verdade, não dói...

Fiz esta metáfora, pois escrevi algo relacionado a alguma história que minha mãe tinha lido para mim e meu irmão em um lindo dia de Sol, embaixo de um grande e majestoso pé de toranjeira.

Naquele tempo eu ainda podia sair no Sol sem me preocupar em brilhar, em chamar a atenção. Eu era uma aberração do mundo hoje, e minha mãe teria horrores se me visse. Eu só esperava que, sendo o amor em pessoa como ela era, ela fosse um anjo que protegeria a mim e a família de Eva.

Era a única coisa que precisávamos!

Comecei a sentir sede. A queimação em minha garganta começava a tomar um nível bem mais alto do que eu já pude aguentar. Se não fosse tão doloroso como estava se tornando, provavelmente eu ficaria brincando que eu estava batendo o meu recorde.

Mas a minha situação não era favorável, ainda mais com uma descendente de Cris a poucos passos de onde eu me encontrava!

Eu tinha de dar um jeito nisso. Abri a janela e a prendi aberta com os fechos laterais. Saltei para fora, eu teria de dar um jeito de me alimentar o quanto antes, e teria de me contentar com pouco! Ou, pelo menos, com o suficiente!

Não precisei ir longe para encontrar comida. Dois bêbados estavam caídos batendo as garrafas em tom de brinde. Eles estavam quase que inconscientes, e isso estava a meu favor.

Eles eram a minha caça, e eu era o caçador. Nada poderia mudar o destino dos dois. Eles eram apenas dois infelizes entregues à morte. Eu era a morte. Eu decidia se eles viviam ou morriam.

Eu era uma má pessoa, mas já estava me conformando com o fato... Não havia nada mais a se fazer...

Não poupei esforços, não queria demorar a voltar ao meu quarto. Simplesmente cheguei em minha velocidade vampírica até eles, que reparou a minha existência fora do comum, e ficaram assustados. Muito assustados, só não conseguiam correr.

Pude sentir que os pelos de suas nucas se eriçaram. Era assim que a caça reagia ao seu caçador. Este era o alerta, e eles estavam totalmente inertes a ele. Se pudesse fazer algo, se estivessem conscientes, tenho certeza absoluta que eles correriam com o máximo de força que pudessem.

Mas isso não ocorreu.

Cravei minha mandíbula. Pelo pescoço, eu atingi a veia que direciona todo o sangue para a cabeça, a carótida, a melhor veia que um vampiro pode atacar. Ela era o sonho desses... monstros... como eu!

O seu corpo ficou imóvel no chão, e então parti para o próximo. O outro nem se manifestou contra, o primeiro pelo menos tentou lutar contra no começo.

O líquido quente era transferido do corpo do homem para o meu. Senti que minhas forças, energia estavam se completando novamente. Isso era uma sensação boa, mas que duraria pouco. Em breve, toda a dor e o pesar pelo meu ato voltariam com força contra mim...

Peguei os corpos sabendo que eu tinha de dar um fim neles. Levei-os para fora da cidade, e os enterrei perto de uma árvore. Se eles tinham alguém, família, pelo menos iria demorar a encontrá-los. E este seria o meu tempo útil de estadia.

Eu não queria me expor mais do que eu já estava disposto. Eu continuava aqui por apenas uma razão, uma única razão: saber qual seria o destino de minha antiga casa, os pertences da família e pegar o meu antigo diário de quando eu ainda era menino – ou humano, como preferirem...

Voltei para a casa de meus pais. Entrei de novo pela janela frontal, a do meu antigo quarto, mas não havia sinal de movimento pela casa. Todas estavam dormindo tranquilamente – Eva e sua mãe que está de cama. A respiração tranquila das duas e o silêncio da casa me convidavam para uma voltinha aos cômodos.

Saí de meu quarto e fui para o corredor, eu queria dar uma olhada no resto da casa.

Bem, o quarto dos hóspedes nunca me agradou, então não quis perder tempo. Fui em direção ao cômodo de onde vinha a respiração das duas mulheres, o quarto de meus pais.

Abri a porta vagarosamente tentando não fazer qualquer ruído que fosse. Se Eva me pegasse acordado em seu quarto no meio da noite, o que pensaria? Isso não seria bom, ainda mais ela não sabendo que a casa, na verdade, é minha. Minha antes mesmo de ser dela!

O assoalho era o mesmo, como em todo o resto da casa. As paredes receberam apenas uma demão de tinta desde quando saí, mas era o mesmo tom de quando eu ainda morava aqui.

Alguns móveis ainda continuavam lá no mesmo canto que minha mãe gostava de deixá-los. Muitos deles, aliás, estavam em bom estado de conservação. A madeira não aparentava ter sinais de riscados nem buracos causados por pragas. O estofado da poltrona de canto, na qual eu fiquei sentado por algum tempo, tinha algumas manchas amareladas, mas nada que atrapalhasse a visão das flores vermelhas e rosas que minha mãe tanto amava...

A penteadeira estava no mesmo lugar, mas o espelho tinha sido trocado recentemente. Este era novo e tinha uma boa visão, enquanto os antigos eram turvos. A gente não enxergava perfeitamente antigamente!

Os lustres, os castiçais, tudo estava igual. O guarda roupa tinha tomado espaço de uma grande parede, mas não me incomodei com ele – ele não veio da minha família e não cobriu algum desenho bonito da parede.

Resolvi deixar o quarto para trás – eu já tinha ficado tempo demais por lá. Estava amanhecendo e se eu continuasse lá, Eva poderia acordar e levar um baita susto comigo. Poderia até me expulsar de minha própria casa.

Desci para a sala e depois fui para a cozinha dar uma olhada. Algumas coisas continuavam do mesmo jeito, outras não, mas agora eu já não tinha mais tempo para ficar reparando nesses detalhes.

Dei-me conta de que o dia já tinha nascido por completo somente quando ouvi passos descendo as escadas. Eva me encarou com uma cara péssima – a cara de quem acorda após uma longa noite de sono mal dormida.

“Bom dia!”

“Belíssimo dia!” respondi tentando a animar, então resolvi manipular seus sentimentos.

“Nossa... de repente, nossa...”

“O que?” me fiz de inocente, afinal, ela não sabia de nada mesmo!

“Ai ai, me sinto tão bem hoje! E foi bom eu acordar assim, sabe?! É que vai ser hoje o leilão com as demais famílias antigas da cidade. Precisamos vender tudo...”

“Não tem como não vender mesmo?”

“Não, Peter... é triste, mas não temos alternativa!”

“Mas por que, afinal das contas, vocês precisam se mudar?”

“Por vários motivos: recebemos um aviso para deixar a casa, pois ela pode cair a qualquer momento, mas o mais engraçado é que não sentimos ou vimos qualquer motivo físico para deixá-la...”

“Então por que vender?”

“Mas esse não é o único problema...”

“E qual é o outro?”

“Os impostos estão caros, e estamos com muitas dívidas na família...”

“E se... e se eu falasse com a pessoa que cobra esses impostos de vocês para amenizarem?”

“É impossível, já tentei uma vez...”

“E o que a pessoa disse?”

“Que eu era uma pessoa muito carismática e simpática, mas que isso não pagava as nossas contas!”

“Isso é patético! Eu darei um jeito, não se preocupe!” – eu fiquei chateado com a venda de minha casa. Ela era a única coisa que eu tinha e ainda queriam tomá-la de mim... Ha! Eles só irão tomá-la se passar por cima de meu poder, até porque de meu cadáver não tem como eles passarem...

“Não, Jasper, você só irá piorar as coisas” – como ela sabe? Ele mal me conhece!

“Não posso nem tentar?” tentei argumentar contra.

“Você não precisa se incomodar...”

“Incomodar mais? Eva, isso é o mínimo que eu posso fazer já que você me deu local para passar a noite. Não posso te dar nada em troca!” – afinal, você também é parte da minha família...

“Mas... Ah, não sei, Jasper...”

“Deixe-me tentar, pelo menos!”

“Olhe, realmente não sei, eles não são pessoas fáceis de lidar!”

“Não se preocupe com isso!” – pois eu sou um vampiro e sei manipular as emoções, baby, acrescentei mentalmente.

“Ok, então irei com você!”

“Hmmm...” comecei a fazer uma careta. Ela não precisava ser teimosa assim! Não comigo!

“Jasper, por favor, somos nós quem moramos nesta casa, portanto, quem tem de ir lá sou eu. E já que você está querendo tanto tentar, eu irei junto!”

“Ok, então... Que horas partimos para a cidade?” a questionei.

“Assim que eu der o remédio para minha mãe e terminar de me arrumar” ela disse mexendo em algumas coisas que fediam de um... de um... sei lá, um negócio grande bege que, quando aberto, saía um ventinho frio... “O que prefere para o café da manhã?”

“Eu?... Ah, não, não, obrigado, não estou com se... fome!” – quase!

“Saco vazio não para em pé! Vai, me diz do que gosta!”

“Ah... Não estou com fome agora, mas eu poderia comer algo depois quando estivesse...”

“Ok, então... Se acha melhor assim!” ela disse e já se dispôs a mexer em algumas panelas e frigideiras. Ela quebrou um ovo e fez uma omelete, que cheirava muito bem, aliás. Depois passou um pouco de manteiga em um pedaço de pão, e se sentou para comer tudo com um copo de suco de laranja.

Enquanto comia, íamos planejando o que falar com o prefeito da cidade.

...

“Bom dia, queremos falar com o prefeito Roadwood!” Eva pediu a secretária, uma mulher roliça de cabelos presos. Ela revirou a boca em sinal de reprovação, mas ela não me assustava...

“E quem deseja?” a ignorante sentada atrás da mesinha perguntou.

“Eva Whitlock e Peter Black.”

“E qual o assunto?”

“É a respeito da nossa casa, e precisamos ver se...” – a criaturinha redonda interrompeu Eva... Eu não gostei dela!

“Então não tem mais o que conversar, senhora Whitlock. Tudo já foi passado para a senhora há muito tempo, e você apenas tem de cumpri-las!” – eu realmente não gostei da secretária.

“Mas é rápido...”

“O prefeito está ocupado no momento!”

“Ok, qual seu nome?” perguntei-a.

“Por que quer saber?”

“Só quero saber!”

“Amanda Bradley.”

“Muito prazer, senhora Bradley” ofereci minha mão para cumprimentá-la, sem me preocupar se ela acharia que minha mão estava fria ou não. Ela retribuiu o aperto de mão, e essa era a minha deixa. “Nós gostaríamos de entrar e falar com o prefeito. É urgente!”

Ela ficou atordoada, mas então respondeu.

“Sim, claro, por aqui!” ela se levantou e foi em direção a um corredor atrás de uma porta. Pusemos-nos a segui-la, e então chegamos a uma porta de mogno bem trabalhada. Ela a abriu, o que nos mostrou uma bela sala de reunião com apenas um senhor sentado em uma das pontas. O prefeito, provavelmente.

“Sim, senhora Bradley?” o prefeito disse.

“Eles precisam falar com o senhor com urgência” ela disse ultrajada, “e como o senhor está aí sem fazer nada mesmo!!!”

“Ora, mas como se atreve? Em anos de trabalho nunca fez algo assim, Amanda!”

“Bem, estou sendo inteligente desta vez!”

“Está sendo inteligente e também demitida! Nunca mais volte aqui!” – ele apertou um botãozinho em um aparelho branco e chamou alguém. Ele apenas ficou nos encarando até que a pessoa chegou e levou a senhora para longe. Outro homem de terno também quis nos levar, mas só conseguiu arrastar alguns centímetros Eva... Eu continuei no mesmo lugar como se ele sequer tivesse tocado em mim.

Continuamos na sala.

“Precisamos falar com o senhor!” – fui a sua direção, e quando estava bem próximo, o manipulei para uma resposta positiva.

“Claro! Você” ele disse ao homem, “pode ir.”

Eva ficou boquiaberta. Preferiu não dizer nada, só observou o que houve a seguir.

“Prefeito, o senhor não pode despejar a família Whitlock de sua morada! A casa é um antigo bem da família, e assim deve continuar! Qual a sua opinião?”

“Eu concordo extremamente com o senhor, senhor...”

“Black.”

“Senhor Black, eu concordo. Escreverei agora mesmo uma carta de retirada da demolição da casa...”

“Só da demolição?”

“O que mais quer? Pode dizer por que eu posso fazer tudo, senhor Black! Tudo o que eu quiser!”

“Então escreva em um papel o que eu lhe falar o que é melhor para esta família!”

Ele concordou com o que eu disse, pegou um papel, pegou uma caneta e um tinteiro. Começou a molhá-la e então olhou para mim esperando que eu lhe ditasse o que deveria ser feito.

“Como símbolo cultural e histórico, a antiga casa dos Whitlock passará por uma reforma. A casa não será mais demolida, e será o novo museu da cidade. Tudo pertencente à família de 1860, de quando se conta a história, deverá permanecer lá e ser protegido não só por forças humanas, mas pela lei também! Os residentes atuais deverão se mudar para uma linda e confortável casa na cidade, sendo que esta deve se encontrar perto de um hospital e escola para as futuras gerações. As dívidas da família devem ser extintas.”

Pausei para ver se ele tinha me acompanhado.

“Agora assine embaixo.”

Ele assinou e pediu pelo aparelho branco que outra pessoa viesse à sua sala novamente. Outro homem de terno escuro entrou.

“Faça uma cópia desse papel e distribua a todos os secretários e políticos. O que está aqui deve ser posto em prática desde já!”

O homem concordou e pôs-se a retirar.

“Obrigado senhor prefeito!”

“Eu é que agradeço por me fazer acreditar no que é melhor para a cultura de nossa cidade. A história deve ser preservada!”

“Sim, deve mesmo!”

“Senhorita, se preferir, pode ir comigo escolher a sua casa agora mesmo. O que acha?”

“Eu... eu... eu... não... sei...” ela estava insegura, mas estava confusa acima de tudo!

“Pode confiar nele, Eva!”

“Como conseguiu fazer isso?”

“Carisma! Nunca lhe disseram isso?”

“Sim, minha mãe dizia para mim quando eu era pequena.”

“Pois a mim também diziam... Engraçado, não?!”

“Bem... sim...”

“Ok, então... Boa sorte” fui até ela e apertei sua mão, enviando-lhe uma onda de otimismo e confiança. Ela mudou de posição, inflou o peito e uma fisionomia mais alegre iluminou seu rosto. “Cuide de sua mãe e de seu marido. Passe bem aqui em Houston. Agora está na hora de partir...”

“Ah não... Precisa mesmo? Não tem tempo nem para um chá? Você nem tomou seu café da manhã!” ela se preocupou.

“Tenho ainda ele embrulhado em seu lenço, Eva. Se não se importar, posso ficar com ele, então?” – afinal, o lenço dela era o mesmo lenço bordado com rendas nas bordas de minha mãe.

“Sim, claro, desde que tome seu café quando precisar!”

“Sim, tomarei!” – nossa, estou me superando nas mentiras!!! “E não se esqueça de cancelar o leilão!” Ela concordou com a cabeça.

Desfiz-me do cumprimento e saí da sala, olhando para dentro enquanto ainda fechava a porta. Tudo estava bem novamente. Meus familiares iriam agora morar na cidade com conforto e com tudo o mais que precisassem. Minha casa se tornaria uma propriedade histórica, e seria um museu. Tudo lá permaneceria intacto, e nada mais seria espalhado por aí...
Fanfic escrita por Jasper Whitlock e Rosalie Hale.